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ENGENHEIRO DA ARTE
Quem um dia o viu trabalhando
com coisas concretas, deve ter estranhado quando partiu para
uma atividade bem mais abstrata. Formado em Engenharia pela
UFMG, Emygdio Ferreira da Silva passou vários anos
as voltas com projetos de hidrelétricas, barragens
e plataformas. Há três anos, abandonou a engenharia
e abraçou as artes plásticas. "A arte me
perseguiu durante décadas, mas sempre adiei a estréia.
Até que um dia ela se impôs completamente",
explica Ferreira.
E aí não
teve jeito. Como quem não tem mais tempo a perder,
esse mineiro de Belo Horizonte passou a se dedicar integralmente
à nova atividade. Montou um Ateliê em Brasília,
onde esta radicado há 15 anos, e passou a batalhar
pela popularização do consumo de arte, depois
de freqüentar vernissagens por muito tempo e constatar
que o público dela era "formado sempre pelas mesmas
pessoas".
A exposição "Toda
parede merece um quadro", aberta ao público na
Casa Raja Shopping, é mais uma batalha desta guerra.
São 130 quadros espalhados em todos cantos do shopping
à venda por preços que variam de R$ 500 a R$
1500, parceladas em até 20 vezes sem juros. O que não
deixa de ser uma proposta convidativa para um segmento da
classe media, que sempre desejou ter um quadro na parede de
casa ou do escritório, mas pouca vez foi beneficiada
com condições vantajosas.
PATROCÍNIO
"Toda
parede merece um quadro" é uma exposição
itinerante inaugurada em Brasília em agosto do ano
passado. Sua proposta de levar a arte a um público
que não vai a galerias agradou ao Ministério
da Cultura, que resolveu enquadrá-la na lei de incentivo
cultural. Acabou conseguindo o patrocínio da Citroen
para expor 115 quadros num shopping da capital brasileira.
Todos foram vendidos em poucas semanas.
Na exposição
de BH, inaugurada no último dia 16, já foram
negociados mais de 50 quadros. A versão mineira, formada
por telas inéditas, não obteve patrocínio.
"Talvez
em função do pouco tempo dedicado a sua preparação",
especula o artista. Isso, porém, não foi suficiente
para intimidar Emygdio, que resolveu bancá-la do próprio
bolso. Depois de BH, nova mostra será montada no Rio
de Janeiro, possivelmente em novembro. Em 1998, será
a vez de São Paulo conferir os trabalhos do artista.
Emygdio é um autodidata.
Garante que o fato de nunca ter freqüentado uma escola
de belas-artes não lhe fez falta. Pelo contrário,
até reflete uma postura consciente. "Procuro ficar
livre de tendências e escolas. Se entrar num curso formal
tenho medo de perder a independência que caracteriza
meu trabalho", analisa o artista que define sua arte
como abstrata, revelando "todo um sentimento que vem
de dentro".
Jornal
de Casa - Belo Horizonte, 27 de abril a 3 de maio de 1997
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